IA também está sendo usada por hackers e acende alerta mundial
Criminosos digitais estão usando inteligência artificial para criar golpes mais convincentes, automatizar ataques e acelerar tentativas de invasão. Entenda o novo alerta da segurança digital.
A inteligência artificial está transformando o trabalho, os estudos, os celulares e até a maneira como utilizamos a internet. Porém, a mesma tecnologia capaz de facilitar tarefas também está sendo incorporada ao arsenal de criminosos digitais e grupos de hackers, aumentando a preocupação de especialistas em segurança.
Em 2026, empresas como Microsoft, Google, OpenAI e Anthropic publicaram novas análises mostrando que ferramentas de inteligência artificial já aparecem em diferentes etapas de ataques cibernéticos. Elas podem ser usadas para produzir mensagens fraudulentas mais convincentes, pesquisar possíveis alvos, automatizar determinadas tarefas e acelerar a procura por vulnerabilidades em sistemas.
O cenário está levando especialistas a alertarem que a próxima fase da segurança digital poderá envolver uma verdadeira disputa entre IA usada para atacar e IA utilizada para defender sistemas.
Hackers estão descobrindo o poder da inteligência artificial
Durante muitos anos, ataques virtuais sofisticados exigiam conhecimento técnico avançado e bastante trabalho manual.
A inteligência artificial começou a modificar essa realidade.
Segundo a Microsoft, agentes maliciosos estão incorporando IA ao ciclo dos ataques para aumentar velocidade, escala e eficiência. A empresa afirma que essas tecnologias podem ajudar criminosos a produzir conteúdos personalizados e realizar determinadas tarefas com mais rapidez.
O Google Threat Intelligence Group também relatou em 2026 que adversários passaram a explorar IA em atividades relacionadas à busca e exploração de vulnerabilidades, operações automatizadas e obtenção de acesso inicial a sistemas.
Isso não significa que qualquer pessoa utilizando inteligência artificial consiga automaticamente invadir computadores.
O problema é que criminosos que já possuem conhecimento técnico podem utilizar essas ferramentas como um multiplicador de produtividade, tornando determinadas etapas de seus ataques muito mais rápidas.
Golpes de phishing ficam mais convincentes
Uma das maiores preocupações está relacionada ao chamado phishing.
Esse tipo de golpe geralmente utiliza e-mails, mensagens ou páginas falsas para convencer a vítima a fornecer senhas, dados pessoais ou informações bancárias.
No passado, muitos desses golpes apresentavam erros de português, mensagens estranhas ou textos facilmente identificáveis.
Com a inteligência artificial, criminosos conseguem produzir textos mais naturais e personalizados.
A Microsoft informou em abril de 2026 que campanhas de phishing auxiliadas por IA observadas pela empresa atingiram taxas de clique de aproximadamente 54%, contra cerca de 12% em campanhas tradicionais analisadas — aproximadamente 4,5 vezes mais.
Isso mostra por que simplesmente procurar erros de português deixou de ser suficiente para identificar uma tentativa de fraude.
Bilhões de ameaças por e-mail
A quantidade de ataques também impressiona.
Durante o primeiro trimestre de 2026, a Microsoft informou ter detectado aproximadamente 8,3 bilhões de ameaças de phishing por e-mail. Esse número inclui diferentes tipos de campanhas e não significa que todas tenham utilizado inteligência artificial, mas demonstra a enorme dimensão atual do problema.
Quando ferramentas de IA são adicionadas a esse cenário, criminosos podem melhorar a personalização das mensagens e adaptar golpes para empresas, profissões ou regiões específicas.
IA pode ajudar a encontrar vulnerabilidades
Outra transformação importante acontece na descoberta de falhas em softwares.
A inteligência artificial está ficando cada vez melhor em analisar códigos e encontrar possíveis vulnerabilidades.
Essa capacidade tem dois lados.
Para profissionais de segurança, é extremamente útil porque pode permitir que problemas sejam descobertos e corrigidos antes que criminosos consigam explorá-los.
Mas atacantes também tentam aproveitar tecnologias semelhantes.
A OpenAI afirmou em junho de 2026 que modelos avançados estão acelerando a descoberta de vulnerabilidades e que um dos novos desafios é conseguir corrigir essas falhas com velocidade suficiente.
Em agosto, a empresa voltou a alertar que criminosos poderão utilizar IA para executar ataques em velocidades e escalas muito maiores, inclusive com níveis crescentes de automação.
Empresas de IA estão bloqueando atividades maliciosas
As próprias empresas responsáveis pelos grandes modelos estão tentando identificar abusos.
A Anthropic analisou 832 contas banidas por atividades cibernéticas maliciosas entre março de 2025 e março de 2026. O estudo encontrou milhares de ocorrências relacionadas a técnicas utilizadas durante diferentes etapas de ataques digitais.
A OpenAI também publica relatórios sobre contas e operações que tentam utilizar seus modelos em atividades prejudiciais.
Segundo a empresa, criminosos geralmente não dependem exclusivamente da IA. Eles costumam combinar modelos de inteligência artificial com ferramentas tradicionais, sites, redes sociais e outras estruturas já existentes.
Esse detalhe é importante.
A inteligência artificial não criou o crime digital, mas pode amplificar métodos que já existiam.
Deepfakes aumentam outra preocupação
Há ainda um problema que vai além da invasão de computadores.
Ferramentas de IA conseguem produzir imagens, vídeos e vozes extremamente convincentes.
Essa tecnologia pode ser usada legitimamente em entretenimento e comunicação, mas também pode facilitar golpes de falsificação de identidade.
Imagine receber uma ligação aparentemente feita por um familiar pedindo dinheiro com urgência.
Ou um vídeo que parece mostrar um executivo de determinada empresa solicitando uma transferência bancária.
Quanto mais realista se torna o conteúdo artificial, mais importante fica confirmar informações por outros meios antes de agir.
Como se proteger dos golpes com inteligência artificial?
Alguns cuidados tradicionais continuam extremamente importantes.
Nunca forneça senhas ou códigos recebidos por SMS para terceiros.
Desconfie de mensagens que criam sensação de urgência, principalmente aquelas pedindo pagamentos ou transferências.
Antes de clicar em links enviados por e-mail ou aplicativos de mensagens, verifique cuidadosamente quem é o remetente.
Quando alguém conhecido pedir dinheiro de maneira inesperada, faça uma ligação utilizando um número que você já possuía anteriormente.
Também é recomendável ativar autenticação em duas etapas, manter celulares e computadores atualizados e utilizar senhas diferentes para serviços importantes.
A tecnologia muda rapidamente, mas aquela antiga regra continua valendo: desconfie quando algo parecer bom demais — ou urgente demais — para ser verdade.
A inteligência artificial também pode defender
Apesar das preocupações, a IA não deve ser vista somente como uma ameaça.
As mesmas tecnologias estão sendo desenvolvidas para detectar ataques, analisar códigos maliciosos e encontrar vulnerabilidades.
O Google prevê que 2026 marque uma nova fase da segurança digital na qual criminosos usarão IA para aumentar a velocidade e o alcance dos ataques, enquanto empresas utilizarão agentes de inteligência artificial para fortalecer seus sistemas de defesa.
A Microsoft também argumenta que sistemas autônomos e ataques realizados em velocidade de máquina estão obrigando empresas a repensar a forma tradicional de proteger redes e dados.
Uma nova batalha digital está começando
O avanço da inteligência artificial criou enormes oportunidades para empresas e usuários.
Mas também criou desafios que provavelmente acompanharão a tecnologia durante muitos anos.
De um lado estarão criminosos procurando utilizar IA para tornar golpes e ataques mais eficientes.
Do outro, empresas de tecnologia, pesquisadores e profissionais de segurança utilizarão inteligência artificial para encontrar vulnerabilidades e bloquear ameaças.
Em outras palavras, a mesma tecnologia poderá estar presente dos dois lados.
O grande desafio será garantir que a inteligência artificial utilizada para defesa consiga evoluir tão rapidamente quanto as ameaças que surgem na internet.
Para quem utiliza celular, redes sociais, e-mail ou serviços bancários pela internet, a recomendação permanece simples: informação e desconfiança continuam sendo duas das melhores formas de proteção.